No lugar de comprar tudo o que as crianças querem, os especialistas sugerem que, mesmo com dor no coração, os parentes deem mesadas aos pequenos. Assim, desde cedo eles começam a entender que o dinheiro não nasce em árvore e são estimulados a se tornarem consumidores conscientes no futuro."Tudo deve ser muito bem conversado", diz o professor de educação financeira da BM&FBovespa, José Alberto Netto Filho. "A criança acha que o dinheiro do pai vem dele. E é necessário que ela entenda que é proveniente do trabalho", orienta ele, como um dos primeiros passos na hora da conversa. Idade Não existe idade mínima para iniciar a mesada da garotada, diz o especialista em finanças pessoais e autor do livro Moneyfit, André Massaro. "Mas é possível que o entendimento da criança sobre dinheiro não seja formado com menos de dez anos". A condição financeira do doador também deve ser levada em conta. Controle Lucas Farias de Almeida, 11 anos, recebe mesada de seus dois irmãos mais velhos desde quando tinha 6 anos. "A primeira vez, ele ganhou R$ 10 e durou só um dia. Ele foi ao mercado com a minha mãe e pediu para que comprasse bolacha e doces. Naquele mês, quando ele pediu outras guloseimas nós dissemos que ele já tinha usado o dinheiro. A partir daí, ele começou a segurar mais o valor que recebia", conta o empresário Juliano Farias de Almeida, que é um dos irmãos mais velhos de Lucas e contribui com a mesada. Hoje, Lucas já tem noção de consumo consciente e economiza quando quer algo especial. "Eu e meu irmão entregamos R$ 400 por mês para ajudar a minha mãe a cuidar dele. Ela dá algo em torno de R$ 50 para o Lucas. Mas ele sabe juntar e já comprou até um tênis igual ao que os amigos usam na escola, destaca Almeida. Diferentemente de Lucas, Bianca Cantero, 14 anos, não conseguiu administrar bem sua receita e acabou perdendo o benefício dos pais. "Quando ela queria comprar algo, pedia para eu descontar da mesada. Só que pedia mais do que podia pagar", conta a mãe Roseli Cantero Torres, moradora de São Bernardo. "Então nós cortamos a mesada." Massaro aconselha que os pais imponham limites aos filhos. "Mas não pode ser como exército, pois eles teem que aproveitar a infância." Ele orienta que a mesada tenha pequeno valor, mas que sejam atribuídos bônus quando as crianças cumprirem suas obrigações, como tirar notas boas no colégio. Netto Filho é contra pagamentos extras. "Tem que ser bem pensado, pois pode ser interpretado como chantagem", destaca. Corte Como a mesada vai de acordo com a condição financeira do pagador, Netto Filho aconselha que os pais expliquem para os filhos a situação da economia familiar em caso de dúvidas. "Tudo tem que ser bem combinado e claro para eles", explica.
Fonte: Diário do Grande ABC